Cruz Templária bordada no manto de um cavaleiro cristão. Símbolo medieval presente na cultura popular. Acervo Museu Histórico das Cavalhadas de São Francisco de Goiás.
Imagem popular pintada sobre a parede da Igreja de Nossa senhora Aparecida, no bairro Água Branca, em Goiânia/GO.
O Museu das Cavalhadas comemora o dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, postando a imagem da virgem Maria e a saudando como o anjo Gabriel "Ave Maria cheia de graça! O senhor é convosco e bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto de vosso ventre: Jesus!"
Para comemorar os 170 anos da romaria do Divino Pai Eterno de Trindade, o Museu Histórico das Cavalhadas de São Francisco posta esta reportagem feita por Fábio Castro, repórter da TV Anhanguera. A Festa de Trindade é a maior do Centro-Oeste e reúne milhares de fiéis. A expectativa para 2010 é 2 milhões e meio de pessoas. Famílias se deslocam para a cidade em carros de boi refazendo uma das mais belas e fortes tradições de Goiás.
Procissão dos Carreiros da Festa de Trindade
A romaria de carros de bois, que desde de 1843 conduz os fiéis à Terra Santa, traduz este momento de devoção e algo mais. A canção dos carros, e a poeira da estrada, revelam pouco da alma goiana.
A viagem à Trindade, num carro-de-boi é árdua. Homens e mulheres seguem a pé. Crianças pequenas, mantimentos, roupas e tralhas de acampamento seguem nos carros. A jornada tem início de madrugada. Antes do sol raiar, por volta das 4h30 da manhã, os carreiros apartam o gado, cangando os bois ao carro. Pelas estradas vicinais a poeira é companheira constante. O frio do mês de junho, que dói no corpo pela manhã, cede lugar ao sol inclemente do Brasil Central, que não dá trégua aos penitentes por todo o percurso. A solidariedade se faz presente nos pequenos gestos. Todo mundo cuida de todo mundo. Ninguém fica para trás. Se um carro apresenta problemas, todos param, ajudam, e depois seguem em frente.
Os romeiros percorrem, em média, 25 quilômetros por dia. Qual uma caravana de ciganos, montam acampamento nas fazendas, acendendo fogueiras para espantar o frio e reunir os amigos. Os mais velhos cuidam das rezas, os mais moços, das danças. Forró, xote e moda de viola animam os acampamentos. A cachaça de alambique, fabricada nas fazendas da região e muita cerveja ajudam a espantar o frio.
Conduzir o carro não é tarefa fácil. São necessários dois, por vezes quatro homens. O peão que vai à frente é chamado candieiro. Sua tarefa é mostrar aos bois o caminho. O que vem atrás se chama carreiro, a ele cabe direcionar a boiada. Sob seu comando os bois da guia (dianteira) viram à esquerda ou direita. Os da chaveia (que vem atrás, mais próximos ao carro), cumprem ordens de fazer mais força para seguir ou frear o carro, principalmente nas descidas. Cada boi tem um nome. Para virar para direita, o boi que está à esquerda empurra o companheiro na outra direção sob a ordem do carreiro. “Vai diamante, vem brilhante”; “afasta manhoso vem brioso”…
Para cantar, os carros têm de estar cheios. E a tradição manda os carreiros levarem, além da tralha, mantimentos (arroz, feijão, farinha, fubá) para as obras de caridade da Igreja Católica. A Vila São Cotolengo, asilo mantido pela Sociedade São Vicente de Paula, é a depositária fiel da devoção dos romeiros. Ao final dos sete dias de festa (que transcorre do dia 1o a 7 de julho), o abrigo soma caminhões de alimentos.
Três dias e duas noites após a partida, os romeiros de Damolândia chegam a Trindade. A alegria de entrar na cidade só não é menor que a de estar aos pés do altar da Igreja Matriz. Construído em tijolos e madeira, ao estilo colonial, o templo conforta os devotos, que primeiro a ele se dirigem, antes de subirem a avenida para admirar os vitrais e a sala dos milagres da Catedral de Trindade.
Assim como no Nordeste o povo se mobiliza à Juazeiro do Norte para render graças ao Padre Cícero, um milhão e duzentas mil pessoas visitam Trindade nos dias da festa. Se para o islamita cumpre a obrigação de visitar Meca ao menos uma vez na vida, aos católicos goianos, ir a Trindade é também uma obrigação. Damolandenses e goianos de outras cidades tem este sentimento, que se renova à cada ano. Se dirigir a pé a Trindade é reafirmar a procissão de fé no Divino Espírito Santo, e mais: Na superação dos desafios da estrada, os goianos renovam a confiança de que podem vencer obstáculos e seguir em frente, sem medo do futuro.
Este texto sobre os romeiros de Damolândia foi extraído do site Festadetrindade.com
O papel desempenhado pelos animais é de grande importância em muitos espetáculos e manifestações da cultura popular sertaneja, que traduzem o espírito e a subjetividade de uma sociedade fundada em sistema econômico agropecuário. Os cavalos atuam como bailarinos que, levados pelos cavaleiros, desenvolvem coreografias no campo de luta. As juntas de bois são grandes atrações na Procissão dos carreiros. Os cavalos destas fotos são propriedade de José Roberto de Sousa e foram fotografados por Marina Sousa.
Foto realizada em Trindade/GO durante a festa do Divino Pai Eterno. A Bandeira de São João no alto do mastro contra o céu azul, tão próprio dos dias do mês de junho, foi vista bem perto da antiga matriz.
São João Batista é um dos santos de maior prestígio entre os brasileiros. Comemorado no dia 24 de junho com grandes festas, levantamento de mastros, foqueiras, quitutes, danças e músicas. São João Batista, que era primo de Jesus, foi uma espécie de profeta que anunciou a chegada do Messias. Foi chamado de batista porque criou o sacramento do batismo, batizando em nome do Espírito Santo nas águas do Rio Jordão. Morreu decaptado por órdem do Rei Herodes.
O Museu Histórico das Cavalhadas selecionou no youtube alguns vídeos sobre a festa do Divino no Estado de Goiás. A beleza do toque dos sinos da matriz, do hino ao Divino Espírito Santo, do reizado do Imperador, da procissão das virgens e da folia de Pirenópolis; também da Serenata do Divino e da Folia do Divino da Cidade de Goiás. A fé e a tradição popular que enriquecem a cultura do estado
O Museu Histórico das Cavalhadas de São Francisco de Goiás selecionou no youtube 10 vídeos sobre a Festa do Divino no Brasil. Entre reportagens e vídeos, com maior ou menor produção, pode-se tomar contato com a essência da festividade e também com a diversidade com que ela é comemorada desde o Maranhão até Santa Catarina.
Diamantina - Minas Gerais
Santo Amaro da Imperatriz - Santa Catarina
Festa do Divino de Anhembi 2/3
Festa do Divino Espírito Santo Freg. do Ó SP
São Luis do Paraitinga - SP
Paraty - Festa do Divino Espírito Santo 2005
Bandeira do Divino Espírito Santo fé que move a tradição
A festa do Divino é comemorada na cidade portuguesa de Tomar onde acontece o desfile dos tabuleiros. As moças vestidas à carater desfilam pelas ruas, acompanhadas de um par masculino, equilibrando nas cabeças tabuleiros com arranjos de pães, flores e fitas, de altura igual à de seus corpos. Os arranjos são encimados por coroas que levam a imagem da pomba do Divino.
1 prato de polvilho. 1 prato de farinha de trigo. 1 prato de açúcar. 1 prato de queijo. 1 prato raso de óleo. 3 ovos. 2 colheres de pó royal. 1 pitada de sal. Leite até o ponto de enrolar. Misture primeiramente os ingredientes secos e depois acrescente os ingredientes líquidos na seguinte ordem: óleo, ovos e o leite. Amasse até o ponto de enrolar em formato redondo e achatado. Asse em forno alto por 15 a 20 minutos, até ficar dourada.
A 5 pratos é uma quitanda típica servida nas cidades de São Francisco, Jaraguá, Petrolina.Esta receita foi fornecida por Erotides Tinoco de Sousa.
O Museu das Cavalhadas de São Francisco de Goiás apresenta uma reportagem fotográfica sobre a Festa do Divino Pai Eterno em Trindade. A maior romaria do Centro-Oeste brasileiro iniciou-se em 1840, com a descoberta pelo casal Constantino Xavier e Ana Rosa de um medalhão de barro, contendo a imagem da Santíssima Trindade coroando a Virgem Maria. Desde então a devoção tornou-se a mais importante de Goiás e hoje repercute fora do Estado.
O Padre Benedito, filho de carreiros devotos, levanta a imagem do Divino Pai Eterno abençoando os carreiros e os romeiros na abertura da procissão dos carros de bois.
A procissão de carros de bois acontece na quinta-feira que antecede o 1º domingo de julho. Reúne centenas de carros de bois num cortejo que parte do santuário velho e se desloca pelas ruas até o carreiródromo. Este evento é um dos mais importantes da Festa de Trindade e mostra como ainda é viva e crescente a antiga tradição do povo goiano de se dirigir todos os anos em caros de bois à romaria do Divino Pai Eterno. Na foto, o carro de boi do sr. José Gonçalves Borges, romeiro da cidade de Varjão.
O cantado típico do carro de boi e as características físicas dos animais de tração, como idade, pelagem, tipologia dos chifres, são atrações que despertam a atenção e os comentários do público que assiste a passagem da procissão pelas ruas e pelo carreiródromo. O carreiródromo é uma passarela com arquibancada preparada para receber o grande contingente de público que comparece para assistir ao espetáculo de fé e cultura popular.
Procissão dos cavaleiros. Após a passagem dos carros de bois, as inúmeras comitivas com milhares de cavaleiros, também vindos de muitas cidades goianas, fazem o trajeto da procissão dos carros de bois. É um espetáculo eqüestre que mostra a força da cultura sertaneja de Goiás.
Missa dos Carreiros. Por volta das cinco horas da tarde de sábado é realizada a missa dos carreiros, reunindo milhares de pessoas numa celebração acompanhada de músicas religiosas em versões sertanejas. A grande quantidade de carreiros de todas as idades e procedências, vestidos à caráter com chapéus e varas de conduzir a boiada, tornam a missa um ritual de grande beleza.
No final da tarde do 1º domingo de julho acontece a Procissão Luminosa, que tem este nome porque milhares de romeiros seguem a procissão com velas acesas. O cortejo parte do Santuário Velho e se dirige para a Praça da Basílica onde é celebrada uma grande missa. Durante a procissão muitas crianças são vestidas de anjo em pagamento de graças alcançadas. Esta é uma antiga tradição que também se mantém viva.
Imagem da pintura no teto da capela mor da Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Pirenópolis. Em 2002, um incêndio destruiu o altar-mor, os altares laterais, o teto e o piso, destruiu o trabalho artístico de pintura, talha em madeira e prataria. Foi uma grande perda para o patrimônio brasileiro.
LETRA DO HINO DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO
Oh ! Virgem do Rosário! Pelo sacrário do redentor, Aceita as lindas rosas, tão olorosas, Do nosso amor.
Tão olorosas! Tão olorosas! Tão olorosas do nosso amor!
São flores que colhemos, Oh! Mãe celeste! No seu jardim. Oh! Mãe celeste! Oh! Mãe celeste! Oh! Mãe celeste no seu jardim!
Desde antigas gerações, durante a festa em louvor ao Divino Espírito Santo e a Nossa Senhora do Rosário, este hino em louvor a Virgem Maria é cantado pela população e entoado pela banda de música festivamente. Sua letra e música são representantes da grande beleza que cerca a cultura imaterial de São Francisco de Goiás.
Apesar da antiguidade da cidade, são poucos os exemplares da arquitetura civil colonial que ainda permanecem em São Francisco de Goiás. Na Praça Jacinto Barbosa destacam-se o Museu das Cavalhadas e a residência do advogado Wilhiam Stival de Faria (foto acima), que conservam as características vernaculares e a memória do passado.
Abaixo exemplos de casas de arquitetura vernacular ainda existentes na Praça Jacinto Barbosa. A memória da cidade requer cuidados permanentes e restauros para evitar o esquecimento. A beleza e a importância desses exemplos da nossa arquitetura antiga necessitam de preservação.